A terra pedia socorro. Atônito, não tive alternativa senão em usar as
asas da imaginação com o fito de alertar a humanidade. Em segundos me vi
vagando pelo espaço sideral e num voo alado, passei por lugares distantes, esquisitos,
inimagináveis, e sustentado pela força da gravidade ia fotografando tudo que
via pela frente e lá de cima, vislumbrava a amplitude do universo que nem
sabemos ter fim. As nuvens nem se assustavam com aqueles pares de asas brancas
encorpadas num ser humano, mas, pareciam entender que cada uma levava consigo
uma esperança, ilusão, mágoa, ansiedade e medo.
O corpo voava mansamente rumo norte, cuja rota sequer tinha planilhas de voo. Era apenas um corpo vagando pelo espaço de olho na natureza e com flashes certeiros fotografava oceanos, serras, milhares de meandros, savanas, lagos, matas e dezenas de rios que desaguavam no mar. Num serrado ingente circundado por densa mata brotavam imensas queimadas que suestadas pelo vento se alastravam, soltando aspirais de fumaça que se misturavam com as nuvens, cujo fogo devastava os últimos resquícios de verde, deixando-os combalidas sobre a terra que chorava de dor. Aflito, observei o homem atiçando fogo que queimava a terra com suas chamas ardentes, e de forma implacável, aquele imenso serrado e matas que, silenciosos, quedavam-se sobre a terra.
Noutras regiões do planeta o homem desmatava, sugava areias dos rios,
poluía o ambiente com seus milhões de veículos e grandes indústrias que
soltavam gases poluentes de suas chaminés, jogando-os na atmosfera,
formando no espaço o dióxido de carbono que provoca o efeito estufa. E foi aí
que passei a entender porque tanto se noticia sobre aquecimento global.
Entretanto, não adianta fugir dessa realidade. As atitudes demonstradas por
cada ser humano, por mais que isso venha afligir a nossa terra,
considero que essa demonstração de descaso, caso não seja combatido, continuará
sendo apenas uma gota de orvalho que não tem mãos para levantar aos céus e
pedir ajuda ao Criador, pois rapidamente se evapora sob os raios de sol.
Tudo o que passei, senti, ouvi e assisti lá de cima poderá se repetir amanhã, até por extrema necessidade em se tratando de economia, mas, como não tenho asas de verdade para voar para constatar se existe prejuízo que prejudique a economia da região afetada, não achei alternativa senão, depois de um combate inimaginável e com o coração voltado para o caminho que Jesus me ensinou, tentar realizar outro voo, talvez, num pássaro de aço, mas desta vez, de forma mais concreta, para poder continuar de olho no depredador com o intuito de preservar e defender a natureza.
Na ânsia de preparar o plantio, o desmatamento para ampliação de sua lavoura, a limpeza de um pasto e ou mesmo colheita manual de cana de açúcar é que faz o homem atiçar fogo na área, destruindo a fauna e flora, empobrecendo o solo, reduzindo a penetração de água no subsolo e, em certas situações, causam mortes, acidentes e perdas de propriedades. Não obstante tudo isso, o que mais me assusta é a poluição atmosférica com prejuízos consideráveis à saúde de milhões de pessoas. As queimadas são associadas com modificações da composição química da atmosfera e mesmo do clima do planeta que a cada dia nos sufoca. A terra parece estar em transe e com sequelas deixando a população mundial vulnerável, não restando ao homem alternativa senão em buscar como último ato evocar a proteção de Deus, pois se sabe que ela ainda não está preparada espiritualmente para receber os efeitos danosos do aquecimento global.
Usando as asas da imaginação como forma de alertar o leitor e
ambientalista, entendi que deveria cria uma entidade que pudesse defender o
meio ambiente e ficar de olho no depredador e aí, quando terminei de percorrer
aquele pedaço de mundo devastado, durante o voo pude vislumbrar momentos
de desespero em face dos desastres naturais provocados pelo próprio homem. E Foi através dessa viajem
imaginária, observando os erros e acertos em várias partes do mundo, cheguei à conclusão
fática em relação à ação humana, então resolvi com alguns amigos, fundar a ONG
Visão Ambiental, embutindo nela do desiderato de defender a natureza e de informar
quando fizer outra longa “viajem” o verdadeiro sentido de uma luta e ver
realizado um sonho, muitas vezes, com pagamento de pesados pedágios,
que sempre dificultou-nos alcançar outros sonhos e objetivos antes de chegar ao
seu final, mesmo quando fazemos uso apenas das asas da imaginação.
VANDERLAN DOMINGOS DE SOUZA é advogado, escritor, ambientalista.
Presidente da Visão Ambiental e diretor da UBE - União Brasileira dos
Escritores. Email: vdelon@hotmail.com e vanderlan.48@gmail.com. BLOG: vanderlandomingos.blogspot.com.
20:18
Vanderlan Domingos
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